23 maio2022

    Delírios da Covid, por Terra Vegana

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    Logo que descobri que estava com covid, entrei em um site de compras para garantir o mercado dos próximos dias. Quando o instinto de sobrevivência bate, cada uma de nós age, de forma mais ou menos racional, a fim de vencer uma luta desconhecida. É uma ilusão, mas chegamos a pensar que na verdade conhecemos cada passo, cada minuto que se aproxima.

    Não sabemos de coisa nenhuma.

    Foi a primeira vez que comprei comida pela internet. Sacos de brócolis congelados, folhas para salada já higienizadas e, pasmem, feijão em lata. Tudo aquilo que mais prezo quando o assunto é comida —os ingredientes frescos e preparados na hora— foi removido do meu prato, junto ao meu paladar.​

    Não dá vontade de comer, muito menos de cozinhar. O corpo quer ficar na horizontal. Corto o saco, jogo o brócolis em água fervente e fico perplexa ao ler nas instruções que devo cozinhá-lo por dez minutos.

    Deixo cinco, de nada adianta, a textura fica molenga e o legume insosso. Jogo um molho de castanha de caju que já estava pronto na geladeira, junto com feijão em lata, sem critério nenhum. Uma saladinha para acompanhar.

    Lembro a briga que foi quando minha mãe chegou com um microondas em casa, eu recém-casada: “olha Luisa, se você não quer, dê para alguém. Um dia você vai me agradecer”. Ela tinha razão.

    O único problema é que, aparentemente, o meu microondas é muito potente. Fui fazer a receita de mingau de microondas da Nina Horta, 1⁄4 de xícara de aveia para ¾ de xícara de água, mistura em uma tigela com capacidade para duas xícaras, cobre com um filme plástico e leva por cinco minutos no microondas.

    Explodiu. Nem por isso fiquei brava com Nina. Ela me acompanhou nesses últimos dias sempre que a febre deu uma folga. Seu livro “Não é Sopa”, com colunas publicadas ao longo de sua carreira na Folha, me transportaram para pratos que nunca comi, pessoas e lugares que nunca conheci e que, no entanto, estavam ali, comigo, me fazendo sentir gostos e cheiros, mesmo sem ter paladar. Obrigada, Nina.

    O paladar. Foram onze dias sem sentir gosto de absolutamente nada. Onze dias esperando a epifania. Eu fantasiei a volta do meu paladar como uma mãe ansiosa pela primeira palavra de seu bebê, e o primeiro gosto que veio à minha boca foi de um amargo horrível.

    Uma almôndega de lentilhas, pedida no delivery, com muita farinha de linhaça, mas por favor, que isso não sirva de argumento para carnista nenhum dizer que comida vegana não é boa, hein? Façam a receita de almôndegas de lentilhas que ensinei há um tempo aqui na coluna e tirem suas próprias conclusões.

    Em meio aos delírios febris, assisti à estreia do Masterchef. Fiquei horrorizada com aquela quantidade de peixe sendo descamado em rede nacional. É isso que define um bom cozinheiro?

    A julgar pela campeã da prova, Isabella Scherer, de 25 anos, não. A jovem teve grande dificuldade em filetar o peixe e caprichou nos legumes na hora de preparar um curry servido com arroz de coco crocante e castanha de caju.

    Roubou elogios da nova jurada do programa, a chef Helena Rizzo, que disse que a proteína animal de fato não precisa ser o elemento central do prato.

    Quem sabe numa próxima prova não veremos abóboras gigantes em vez de peixes? Quem já partiu e limpou uma abóbora de mais de 5 kilos irá reconhecer o enorme desafio.

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    Fonte feed: Via Feed Folha de S.Paulo