25 maio2022

    Um jantar no restaurante Família Bolsonaro, por Cozinha Bruta

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    No restaurante Família Bolsonaro, o cliente da mesa 45 faz sinal para o garçom.

    – O que você quer?

    – Garçom, minha sopa está fria.

    – Não, não está.

    – Como assim? Olha aqui: congelada.

    O cliente bate com a colher na sopa sólida.

    – Vai precisar de um martelo para quebrar.

    – Essa é a sua opinião. A minha é diferente, e você precisa respeitá-la. Vou chamar o chef Jair.

    O chef chega com marreta e cinzel em mãos. Racha um pedaço da sopa e chupa a lasca de gelo.

    ­– Quentinha e deliciosa, talkey?

    ­– Não é possível que você não perceba que a sopa está congelada!

    – É o que você diz. Eu e o garçom achamos que está quente. Você é um perdedor cheio de mimimi, não sabe viver numa democracia. Fora do meu restaurante!

    O ocupante da mesa 25 também tem problemas com o pedido.

    – Garçom, eu pedi o prato vegetariano. Você me trouxe um bife.

    – Saiba que a sua ilação é muito grave. Esteja preparado para provar o que diz ou enfrentar as consequências!

    – Como? Tem uma picanha sangrando no meu prato!

    – Vocês, da esquerda, não têm mesmo escrúpulos. Isso é um atentado à honra do cozinheiro. Chef Jair, venha cá!

    – Qual é a cuestão?

    – Isto é carne. Carne não é comida vegetariana.

    – Você está errado no tocante a isso aí, talkey? A comida é boi, o boi é vegetariano, então logicamente a comida é vegetariana. Para de inventar narrativas e some do meu restaurante!

    Um pouco mais tarde, o freguês da mesa 30 tenta pagar a conta.

    ­– Não aceitamos cartões, talkey?

    – Aceita pix, chef?

    – Não. Nenhum pagamento eletrônico. Só papel. Impresso. Dinheiro vivo e auditável.

    – Por quê?

    – No meu entendimento, pagamento eletrônico não é confiável.

    – Mas até feirante aceita…

    – Você pode depositar o valor na conta de outro restaurante.

    – Que loucura é essa?

    – Posso provar isso aí.

    – Então prove!

    – Eu não sou obrigado a provar nada. Você é quem precisa provar que não vai depositar nosso dinheiro em outra conta.

    – Quer saber? Estou cansado dessa conversa maluca. Toma o dinheiro!

    – Valeu. Até 2022.

    – Espera aí, cara: eu dei R$ 200, falta o troco