24 maio2022

    Como ignorar a banoffee se ela está em todo lugar?

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    Por motivos históricos, a Inglaterra tornou-se famosa por sua cozinha capaz de destruir sem piedade maravilhosos ingredientes que a natureza lhe deu. Verdade que nos últimos 30 anos vários de seus chefs, alguns muito bons mesmo, vêm tentando corrigir esta sina, mas ainda assim, ao ouvir falar de uma sobremesa criada pelos ingleses há 50 anos, sempre fiquei com um garfo atrás.

    Mas, agora, a tal banoffee está em todo lugar; como ignorar sua existência (como eu vinha tentando, até ser pautado para escrever esta matéria)? Já está a ponto de virar a banana split desta geração, então melhor encarar logo a fera. Ainda mais que, em 2021, os banófilos comemoram os 50 anos de seu objeto de desejo.

    Segundo fontes britânicas, foi lá mesmo (com data e local) que o doce foi criado —em 1971, por Nigel Mackenzie, proprietário do restaurante The Hungry Monk, em Jevington, East Sussex, e seu chef Ian Dowding.

    Teria sido inspirado na sobremesa de uma padaria americana (a história só piora), Blum’s Bakery, de San Francisco. Só que, nesta, não havia fruta; foi na Inglaterra que ela veio a se tornar aquilo que o dicionário Oxford, desde 1997, descreve como uma “torta feita com caramelo, banana e creme”.

    Na origem americana, a coisa chamava coffee toffee pie, torta de caramelo e café. Já na Inglaterra, ganhou a banana e a contração no nome, banana + caramelo (toffee). O mais comum é usar doce de leite, feito na lata de leite condensado mesmo (o criador inglês fazia isto —nenhuma surpresa).

    Percorrendo as ofertas na cidade (são centenas!), deparei com a da Nanica, que parece ser uma das mais conhecidas, onde o doce leva chantilly (polvilhado com cacau) e doce de leite, além da banana e da massa de biscoito por baixo, um pouco pesada e muito doce.

    Quis também provar a da Lady Banoffee, pelo nome e por ser perto de casa, e que também tem diversas versões —por pressões infantis, apelei para a de Nutella, desta vez com o chantilly batizado com leite em pó. Mais uma vez um pouco pesada, o chantilly (como o da anterior) é espesso, não aerado.

    Em homenagem ao cinquentenário, procurei ainda uma variação rejuvenescida, reinterpretada pelo confeiteiro Rafael Protti. “Eu conhecia pouco sobre banoffee anteriormente. Mas começamos a fazer em função da demanda. Pensamos nos elementos dela, fizemos umas duas provas, e deu certo”, diz ele.

    Em sua doceria Crime, (que passou a servir o doce em vista da enorme demanda) a banoffee tem massa de cacau, uma ganache de chocolate branco caramelizada, e por cima leva um creme inglês de baunilha com mascarpone.

    É mais surpreendente e menos óbvia que as demais (também mais cara, R$ 25 —as outras, em torno de R$ 15).

    Ainda assim, não são minha praia. Se eu fosse mais fã de sobremesas, e soubesse fazê-las, provavelmente usaria por baixo uma massa sablé bem salgadinha, picaria ou fatiaria fininha (e colocaria menos) a banana, para deixá-la mais discreta do que as toras que usam, cobriria com um creme mais vaporoso —e ainda salpicado de pó de café (ou misturado com a bebida, como na original). Vai que ficaria bom. E encalhasse na prateleira.

    No formato atual, seu efeito lembra a banana split que nos era indispensável na fase que misturava larica e pós-adolescência. Tempos que ficaram para trás. E que ainda não chegaram para meu filho, que talvez por isso tampouco se apaixonou pelas versões que provamos.

    Fonte feed: Via Feed Folha de S.Paulo