24 maio2022

    Ucraniana lança projeto para cerveja Resist, uma ‘anti-imperial stout’

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    Entre o fim de 2013 e o início de 2014, Lana Svitankova era uma das milhares de pessoas que foram à Maidan Nezalejnosti, ou praça da Independência, em Kiev, para protestar contra o então presidente ucraniano Viktor Yanukovich —que voltou atrás em um tratado para entrar na União Europeia e se aproximou de Vladimir Putin.

    Apesar da sangrenta repressão policial, a onda de protestos conseguiu na época a renúncia de Yanukovich, mais tarde substituído por um governo pró-Europa.

    Hoje aos 39 anos, Lana Svitankova mora em Zurique (Suíça) com o marido e tem acompanhado com angústia e apreensão os bombardeios russos contra sua Kiev. Seus pais conseguiram sair do país, mas ela ainda tem amigos que estão na capital do país, dormindo em abrigos antibombas. “Estamos no século 21 e um país ainda invade outro país independente… é bizarro. Às vezes meu cérebro não consegue processar, parece que estamos em um filme apocalíptico”, lamenta.

    Especialista em cervejas, com o certificado de cicerone, Lana está em Blumenau, onde compõe um time de 106 jurados do Concurso Brasileiro de Cervejas, principal premiação do país. “Me sinto culpada várias vezes, porque estou aqui julgando cervejas, e meus amigos estão dormindo no subterrâneo”, comenta a ucraniana, que usa todo o tempo um pin com as cores da bandeira do país.

    Lana encontrou no setor que tanto ama uma forma de ajudar seus compatriotas ao lançar uma campanha para arrecadar fundos junto à comunidade cervejeira. Ela criou o site drinkersforukraine.com (bebedores pela Ucrânia), no qual convida os participantes a doar qualquer item cervejeiro para um leilão, como uma cerveja rara ou um livro autografado. O Drinks For Ukraine ainda ganhou perfis no Facebook e no Instagram (aqui).

    O site também incita os cervejeiros a produzirem um novo rótulo, a cerveja Resist, uma “ukrainian anti-imperial stout” (uma provocação às famosas russian imperial stout) com pelo menos 10% de teor alcoólico. O site disponibiliza uma receita e sugere a arte do rótulo, mas permite licenças criativas na fórmula. O valor arrecadado com a Resist vai para a Cruz Vermelha que está atuando no país do leste europeu.

    A ação lembra um pouco a do projeto Black Is Beautiful, criado nos Estados Unidos, que arrecadava dinheiro para fundações que combatiam a violência policial após o assassinato de George Floyd.

    Início cervejeiro e Brasil

    Ao contar um pouco sua história, Svitankova recorda que demorou para entrar no universo cervejeiro, apesar de o consumo de álcool ser permitido a partir dos 16 anos. O interesse veio durante a lua de mel em Praga (República Checa), um dos principais polos cervejeiros do mundo. “Tomei uma dark lager e pensei, ‘hmmm, então a cerveja pode ser assim, preciso saber mais sobre isso”, lembra.

    ELa leu tudo que estava a seu alcance, enfrentou o machismo comum no setor, tirou o certificado como cicerone, virou tradutora de livros cervejeiros em seu país-natal e jurada de concursos em diversos cantos do mundo, incluindo a atual edição do Concurso Brasileiro de Cerveja.

    Em sua primeira visita ao Brasil, Svitankova se impressionou com o tamanho do concurso —com mais de 3.500 amostras inscritas— e com a qualidade das cervejas, incluindo a catharina sour, primeiro estilo brasileiro reconhecido oficialmente. “O nível das cervejas é extremamente bom, em outros concursos algumas são ruins, mas aqui estava acima da média”, conta. Antes de Blumenau, Lana passou por São Paulo, onde conheceu e se maravilhou com cervejas de brewpubs e taprooms, como Croma, Dogma, Trilha e Tank.

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    Fonte feed: Via Feed Folha de S.Paulo