sábado, março 2, 2024

A casa do mangue

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Rian Santos
Do Jornal do Dia

A chefe Roberta Nascimento transferiu a cozinha para o mangue. Das panelas areadas na melhor tradição italiana, desprende-se agora algo de brisa, os movimentos suaves do Rio Poxim.

O lugar é um achado. A casa do mangue, como todos já chamam o espaço, tem a medida exata do acolhimento. A dois passos da avenida Beira Mar, na curva mais recolhida daquele veio de água, pescadores acenam das canoas, amigueiros, a vegetação natural se esparrama contra o céu aberto, uma oferta de abrigo.

Foto Julia Duarte

De garfos e facas eu pouco entendo, quase nada. Afianço, no entanto, que os pratos servidos por Berta me fazem muito feliz. Os pratos de Berta, os pães de Maiume (Girassóis Pães), a pizza de Doca, na Barra dos Coqueiros. Trata-se aqui de uma cozinha afetiva, avessa à pressa, alheia aos relógios e as senhas dos restaurantes fast food, uma cozinha cujo único compromisso é firmado com a satisfação dos convidados reunidos à mesa. Como tudo o mais nessa vida, o sabor mais duradouro na lembrança também carece de tempo para vingar.

Que assim seja, portanto. Fecho os olhos e vislumbro noites sem fim, entregue à respiração delicada das marés. Antecipo o burburinho alegre das melhores conversas, o veludo de bons vinhos. Eis a expectativa mais justa em relação ao novo endereço da chefe Roberta Nascimento, A casa do mangue. Desde já, o meu novo lugar preferido para comer, beber, experimentar as melhores coisas da vida sem tirar os pés de Aracaju.