8 agosto2022

    Em defesa do Coco Bambu e das mentiras que todo restaurante conta, por Cozinha Bruta

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    Sou insuspeito para falar (bem) do Coco Bambu: tenho antipatia visceral com a rede cearense de restaurantes, relacionada aos aspectos gastronômico, estético e político da marca.

    Dito isto, é um desplante o Conar (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária) advertir o Coco Bambu por usar o slogan “O melhor restaurante do Brasil”. A medida foi tomada a partir de uma “denunça” do Outback Steakhouse, afirmou a coluna de Lauro Jardim no Globo.

    O Coco Bambu alega que ganhou prêmios do TripAdvisor –que é facilmente manipulável e já contemplou, em Londres, um restaurante fictício inventado por um jornalista pândego. Desnecessário.

    Sério, esse tipo de lorota é o marketing mais antigo do setor de restaurantes. Se vacilar, o lugar da Santa Ceia se autodenominava “a melhor taberna da Judeia”.

    Qualquer boteco pestilento diz que é o melhor do mundo. E nem precisa de prêmio meia-boca de site colaborativo para tal (ou da chancela de um instituto sério como o Datafolha, que em 2019 apurou que os paulistanos consideravam o Coco Bambu o melhor restaurante para levar a família).

    Qualquer buraco infecto é o rei disto ou daquilo. Qualquer mercadinho cheio de baratas e o campeão da economia.

    Tem uma cadeia de confeitarias portuguesas que achou boa ideia adotar o nome O Melhor Bolo de Chocolate do Mundo –sendo que o doce que eles vendem sequer é bolo, é uma torta com camadas de suspiro.

    Particularmente, eu prefiro os estabelecimentos que sofrem da síndrome do impostor. Aqueles que servem “a melhor pizza da região” ou dizem ser “a casa mais alto astral da Vila Nhocuné”.

    Na publicidade, a mentira é a regra, não a exceção. Nos restaurantes, ela não se limita ao conceito geral da birosca. Vamos a certas cascatas dos cardápios.

    Frutas da estação? Mentira. É sempre abacaxi ou mamão.

    Peixe do dia? Mentira. Estava congelado desde a outra semana.

    Molho de vinho malbec? Mentira. Nem queira saber qual é o vinho…

    Se o portuga da esquina vende o melhor torresmo do Brasil e entrega um couro murcho, peludo e gordurento, não tenho como acionar o Tribunal de Haia por crime contra a humanidade. O Conar, talvez? Duvido que eles deem alguma atenção.

    O Coco Bambu faz o mesmo que todo comércio sempre fez. Muda a escala. A questão é que não existe métrica objetiva para determinar o que é o melhor ou o pior do mundo. Vide os rankings altamente enviesados de restaurantes chiques.

    Se os caras do Coco Bambu precisam citar a fonte do prêmio nos anúncios, o galego da rua de cima também precisa incluir o *(segundo o Marcão Nogueira) quando anunciar a cerveja mais gelada do bairro*.

    Detesto o Coco Bambu por uma série de motivos, mas mentiroso muito pior é o Outback –rede americana de casual dining (perdão pela linguagem) que finge ser australiana. Porque a lorota dos cearenses é bravata, só acredita quem já é fã; no Outback, por sua vez, Enzos e Valentinas comem cebola frita e pão marrom com a convicção de serem as tradições mais profundas da Austrália.

    O que o Ouback faz é crime? Não. É bacana? Nem um pouco, assim como não é boa a comida do Coco Bambu.

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    Fonte feed: Via Feed Folha de S.Paulo