sábado, março 2, 2024

Pato Delivery: o empreendedor carioca que, sem conhecimento de tecnologia, criou aplicativo de entrega de bebidas, desbancando gigantes do setor no RJ

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“Não tem nada pior do que acabar a cerveja no meio do churrasco. Daí você entra no aplicativo de entregas, pede outra caixinha, espera por mais de uma hora, e a cerveja ainda vem quente. Eu sabia que tinha como ser melhor do que isso” – Miguel Jonusan, fundador do aplicativo Pato Delivery

Há quem acredite que o empreendedorismo seja muito mais vocação do que uma questão de aprendizagem. Embora o estudo e o aprimoramento do empreendedor seja algo bastante necessário ao desenvolvimento de suas atividades, para Miguel Jonusan, CEO e fundador da Pato Delivery, é preciso que você nasça com espírito empreendedor para fazer realmente a diferença no mundo dos negócios.

“Acredito muito que a pessoa nasce empreendedora. Isso já está no sangue!”, pontua o executivo, ao contar à reportagem quando percebeu que entraria para o mundo dos negócios.

Miguel conta que, logo cedo, durante a transição entre o ensino fundamental e médio,na cidade de Niterói, no Rio de Janeiro, esforçava-se para tirar boas notas no colégio. Sua mãe, como forma de recompensar o filho pelas boas notas, procurava, sempre que recebia bons boletins escolares, recompensá-lo com singelos brinquedos, para incentivar Miguel a continuar sempre tirando boas notas.

A partir de então, Miguel se deu conta de que todas as suas ações geram alguma consequência. E que o esforço e dedicação naquilo a que se propunha, seria de alguma maneira recompensados. O jovem, porém, queria mais que simples carrinhos de brinquedo. Vindo de família de uma condição financeira não muito abastada, o estudante percebeu que ali havia uma oportunidade de negócio.

Jonusan identificava os colegas que gostavam dos brinquedos que ganhava e, de pronto, os fazia uma oferta. Aquelas “recompensas” dadas por sua mãe, se transformavam em insumos para o seu “negócio” e seu estoque era rapidamente vendido.

Em 2016, dos 18 para 19 anos de idade, Miguel criou, na cidade de Niterói, seu primeiro grande empreendimento. Uma boate e danceteria e, logo na sequência, seu primeiro empreendimento no setor AB (alimentos e bebidas): uma hamburgueria.

Com aptidão para os negócios, e sempre com o faro muito apurado para identificar gargalos e solucionar problemas para os consumidores, em 2019 identificou a necessidade, na cidade de Niterói, de haver um aplicativo que pudesse entregar todos os tipos de bebidas. Mas isso somente não bastava. As bebidas precisavam chegar geladas, prontas para consumo imediato.

Para que isso acontecesse – a bebida chegar gelada na casa do consumidor – Miguel identificou que o tempo de entrega também seria outro grande problema a ser solucionado. O tempo de entrega não poderia, de forma alguma, ser superior a 30 minutos.

Engana-se quem pensa que teve grandes dificuldades para competir diretamente com os gigantes que dominam o mercado de delivery de comidas e bebidas no Brasil. Ao contrário de seus imensos concorrentes, a sua solução se propunha a entregar toda e qualquer marca de bebida, enquanto seu principal concorrente possuía contrato de exclusividade com uma marca específica.

Nasce, a partir daí, a Pato Delivery – ou, pelo menos, a ideia do empreendimento. Miguel ainda precisava desenvolver uma tecnologia que fosse capaz de integrar os três pilares da sua operação: sistema de gestão X cliente X fornecedor.

Sem qualquer conhecimento de programação e desenvolvimento, sua primeira grande dificuldade surgiu, por óbvio, dado o altíssimo custo para o desenvolvimento de tecnologia no Brasil. Os orçamentos mais baixos que encontrara para o desenvolvimento da sua solução iniciavam em torno de 100 mil reais, algo bastante distante da realidade do empreendedor.

“Como qualquer empreendedor, senti medo de iniciar esse negócio. Principalmente sem ter o menor conhecimento de tecnologia e desenvolvimento. Nunca havia passado sequer pela minha cabeça esta área.”, conta o executivo da Pato Delivery.

Ainda confiante em sua ideia inovadora, Jonusan resolveu validar a viabilidade da solução antes de realizar investimentos maiores. Criou, por meio de aplicativos terceiros, uma espécie de “cardápio digital”, abriu, com investimento próprio, uma pequena distribuidora de bebidas com estoque próprio e, com uma pequena divulgação na cidade de Niterói, iniciou a operação. Não era surpresa que a ideia de ter a bebida gelada em casa, em 20 ou 30 minutos, ia rapidamente cair no gosto dos usuários e, logo no início da operação, Miguel se viu faturando até 10 mil reais por dia, com sua operação ainda amadora. Foi a “virada de chave” que ele precisava.

Confiante, reuniu todos os investimentos que tinha, vendeu seu carro próprio e foi em busca de auxílio da mãe, aquela mesmo do início da matéria, que também reuniu os poucos investimentos que tinha guardado durante uma vida inteira, e ao invés de contratar uma empresa terceirizada para o desenvolvimento da plataforma, foi ainda mais audacioso, contratando uma equipe full time de programação e desenvolvimento, que trabalhava em 2 turnos, dia e noite, sem descanso.

“Eu precisava de uma equipe full time pra tudo sair perfeito, exatamente do jeito que estava na minha cabeça. Eu não sabia digitar uma linha de código sequer, mas eu sabia o que eu queria, e sabia como o Pato Delivery deveria ser.”, conta Miguel Jonusan.

Ainda sem o valor necessário para investir no desenvolvimento do aplicativo, e sendo completamente alheio aos conhecimentos técnicos para sua criação, resolveu vender o carro que tinha para levantar parte do dinheiro. Recorreu à ajuda da mãe, com um pequeno investimento que ela tinha guardado, e investiu tudo o que tinha na contratação de uma equipe de programadores full time, em 2 turnos, dia e noite, para desenvolver o sistema exatamente como ele imaginava.

Em 2019 estava pronta a operação, e já operando, inicialmente em Niterói. O sistema tem como característica, conectar o cliente ao fornecedor mais próximo de sua casa, para garantir a rapidez na entrega, e tudo isso ser gerenciado pela robusta tecnologia de gestão, que faz essa busca para o cliente. Ao contrário das plataformas convencionais do mercado, onde o cliente perde um bom tempo selecionando o fornecedor (loja), e depois o produto dentro do cardápio da loja, o Pato Delivery rapidamente ganhou notoriedade na região por encurtar este caminho: o cliente precisa apenas procurar o produto. A plataforma se encarrega de buscar o fornecedor mais próximo para a entrega da bebida pronta para consumo e buscar também o entregador mais próximo do fornecedor, para garantir a entrega expressa.

Rapidamente a ideia se expandiu para todo o Rio de Janeiro e, em 2020, a Pato Delivery já começava a alcançar outros estados Brasil afora.

“No início de 2020 eu anotei uma meta no papel, e fechei ele. Disse que só abriria esse papel de novo em dezembro daquele ano. A meta era ter 100 lojas cadastradas no aplicativo. Quando chegou dezembro, e eu abri aquele papel de novo, me dei conta que haviam mais de mil lojas cadastradas no Pato. Eu guardo esse pedacinho de papel até hoje, como um lembrete pra mim mesmo e pra todo mundo da Pato, de que a gente nunca deve parar na nossa meta, mas sim ultrapassá-la.”, conta Miguel Jonusan, emocionado. 

No decorrer de 2021 identificou a rápida expansão nacional e, com  aproximadamente 150 lojas cadastradas por dia, percebeu que o melhor modelo para gerenciar o negócio com mais qualidade, seria o modelo de franquias, para que houvesse uma expansão mais segura.

Em menos de  1 ano de operação no modelo de franchising, a Pato Delivery já conta com mais de 20 franquias espalhadas pelo Brasil e em constante crescimento.

“Não sou o dono do Pato. Não sou proprietário. Sou vendedor antes de qualquer coisa”, finaliza Miguel Jonusan, fundador do Pato Delivery.