Azul Conecta estuda retorno ao Rio Grande do Sul após cancelar operações em 9 cidades

Azul Conecta estuda retorno ao Rio Grande do Sul após cancelar operações em 9 cidades

De Mateus Tamiozzo
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A Azul Conecta, subsidiária da companhia aérea Azul focada em voos regionais com aeronaves Cessna Gran Caravan, de nove assentos, está avaliando a retomada de operações no Rio Grande do Sul. A informação foi compartilhada pelo CEO Vitor Cordeiro em entrevista à CNN Brasil.

As primeiras rotas da Azul Conecta no Rio Grande do Sul foram operadas no começo da década: Bagé, Canela, Erechim, Santana do Livramento, São Borja, Santa Cruz do Sul, Santa Rosa, Torres e Vacaria. Ao longo dos anos seguintes, entretanto, a companhia foi gradativamente saindo dessas cidades. Em boa parte dos casos, o problema passava pela infraestrutura dos aeroportos.

À época da estreia da Azul Conecta, o governo gaúcho reduziu o ICMS sobre o querosene de aviação. Na prática, quanto mais rotas, assentos e frequência de voos uma empresa oferecesse no Rio Grande do Sul, menos imposto pagaria sobre o combustível.

Agora a empresa tenta retornar a solo gaúcho, e a questão dos custos operacionais certamente está na mesa com o governo local. A empresa está mais cautelosa desde que saiu da recuperação judicial, em fevereiro, mas já fez avanços em relação à Azul Conecta, com os anúncios de retomada de operações em Diamantina e São João del-Rei, em Minas Gerais.

Além do Rio Grande do Sul, a subsidiária da Azul também está avaliando ampliar operações no Paraná, onde já pousa em Umuarama, Guaíra, União da Vitória e Telemaco Borba.

“Sempre existe a demanda da capital para o interior do estado. E aí há alguns estados, em específico, em que as cidades do interior têm uma demanda muito grande para São Paulo também […]. Estamos olhando oportunidades, e discutindo com o Rio Grande do Sul, o próprio Paraná e São Paulo para ampliar a nossa malha”, disse Cordeiro.

Expansão esbarra na crise do petróleo e estrutura dos aeroportos

Segundo o CEO da Azul Conecta, a disparada nos custos com o querosene de aviação (QAV) por conta da guerra no Oriente Médio – que fez subir o preço do petróleo – seria um obstáculo para o avanço da empresa no interior do país.

“Em um contexto de alta dos combustíveis, nem toda cidade se torna viável para nós na atual circunstância. Precisamos entender quais são as possibilidades dos estados em nos auxiliar, seja com programas de ICMS, divulgação da malha, entre outras coisas. Tem que ser alguma coisa tripartite para que seja sustentável”, explicou Cordeiro.

Desde o começo do conflito, no fim de fevereiro, o preço do QAV no Brasil subiu cerca de 65%. Ontem, a Petrobras anunciou uma redução de 14,2% no valor do insumo para este mês – a primeira queda desde março.

Outro ponto importante, na visão de Cordeiro, é a estrutura dos aeroportos, ainda que o Cessa Gran Caravan consiga operar em pistas “muito ruins ou despreparadas”. O chefe da Azul Conecta disse esperar que esses locais “melhorem minimamente” para não virarem um “problema” no futuro.

“A flexibilidade do Caravan não exclui a necessidade de investimentos nos aeroportos. Mesmo sendo uma aeronave parruda, temos exigências de segurança, e nisso a gente concorda 100% com a Anac. Então, vamos parar as operações até que aquilo seja consertado”, afirmou.

A regularidade das operações é um dos argumentos apontados por Cordeiro para justificar a presença da Azul Conecta. “Se o empresário não sabe se vai conseguir pousar ou não por causa da infraestrutura, ele vai de carro para um aeroporto maior. Isso desestimula a demanda.”

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