Escritor sergipano Matheus Batalha lança romance que une memória, trauma, ditadura e a cultura popular de Sergipe

Escritor sergipano Matheus Batalha lança romance que une memória, trauma, ditadura e a cultura popular de Sergipe

O escritor sergipano Matheus Batalha lança, no próximo dia 3 de agosto, às 17h, na Academia Sergipana de Letras, em Aracaju, seu mais novo romance: “O Testamento do Alferes”, publicado pela Editora Urutau. O evento é aberto ao público e contará com sessão de autógrafos.

Após a boa repercussão de Tabu (2024), seu romance de estreia, Matheus Batalha retorna à ficção com uma narrativa que atravessa diferentes tempos e geografias para discutir temas como memória, trauma, relações familiares, ditadura militar, política e amor. O livro já desperta interesse do público: a pré-venda realizada pela editora alcançou 100% dos exemplares disponibilizados.

A história acompanha Tião, um jovem sergipano marcado pela perda da mãe no nascimento e por uma infância vivida em internatos. Em meio aos anos mais duros da ditadura militar brasileira, ele é obrigado a deixar o país e segue para a Europa, onde presencia a efervescência cultural e política que culmina na histórica revolta estudantil de maio de 1968, em Paris.

Ao longo da narrativa, o romance entrelaça acontecimentos históricos com elementos da cultura popular sergipana, tendo como uma de suas referências a tradicional guerra dos Lambe-Sujos e Caboclinhos, realizada em Laranjeiras (SE). A obra estabelece um diálogo entre o universo erudito e as tradições populares para refletir sobre herança e seus impactos que atravessam gerações.

“Num mundo que ainda teima em não aprender com os seus próprios equívocos, este romance nos oferece uma reflexão sobre memória, trauma, família, política e revoluções, somente para destacar que, no fundo, nenhuma saga se tornará vitoriosa sem o amor. Como bem diz Tião: ‘nada que se possa ter, vai te fazer feliz, se não souber amar’. Esta é uma lição ainda necessária para o mundo em que vivemos”, aponta o autor Matheus Batalha.

Segundo o autor, a ideia do livro surgiu após um sonho, em janeiro de 2024, e deu início a um intenso processo de pesquisa sobre o contexto político brasileiro e europeu daquele período. “Quis construir uma narrativa que aproximasse a história de Sergipe dos grandes acontecimentos mundiais de 1968, mostrando que nossas experiências locais também dialogam com questões universais. Ao mesmo tempo, o romance procura refletir sobre quem tem o direito de contar uma história e como a memória continua organizando a vida daqueles que permanecem”, afirma o autor.

Para Matheus Batalha, ‘O Testamento do Alferes’ também representa a continuidade de um projeto literário iniciado em Tabu. “Os dois romances discutem, cada um à sua maneira, a linguagem como estrutura de poder. Se em Tabu a protagonista luta para assumir a autoria da própria história, neste novo livro o foco está na herança das narrativas deixadas por quem já partiu. No fundo, acredito que nenhuma história é definitiva e que compreender nossa memória também é uma forma de transformar o futuro. Assim, este novo livro é seguido de uma linguagem como estrutura de poder para montar uma literatura em que misturo os campos e as cidades sergipanas com o além-mar”, destaca o autor.

Voltado aos leitores interessados em literatura contemporânea, ficção psicológica e romances históricos, O Testamento do Alferes propõe uma reflexão sobre memória, autoritarismo, pertencimento e os caminhos possíveis para a reconstrução das narrativas individuais e coletivas.

O autor Matheus Batalha

Natural de Aracaju, Matheus Batalha nasceu em 1981. É doutor em Psicologia pela Universidade Federal da Bahia, foi pesquisador visitante no Departamento de Literatura e Línguas Românicas da Harvard University e atualmente é professor da Universidade Federal de Sergipe. Além de diversas crônicas e publicações acadêmicas, é autor de Educação Pelo Mundo: vida em crônicas e do romance Tabu.

SERVIÇO

Lançamento do livro “O Testamento do Alferes”

Data: 03 de agosto de 2026 (segunda-feira)

Horário: 17h

Local: Academia Sergipana de Letras – Centro de Aracaju

Entrada: Gratuita

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