- 78% acreditam que essa mudança levaria a um aumento de preços nos pedidos de comida por aplicativo
- 86% dizem que essa mudança afetaria os brasileiros mais pobres, contra 14% que acreditam que afetaria os mais ricos
Uma pesquisa inédita realizada pela Quaest em parceria com a Associação Nacional dos Restaurantes (ANR) revela que a maioria da população brasileira rejeita a proposta do governo federal de uma taxa mínima de R$10 por entrega e adicional de R$2,50 por km acima de 4 km de distância para pedidos em aplicativos de entrega.
Conhecimento sobre o debate: os dados mostram que o debate sobre a regulamentação do trabalho por aplicativos é amplamente conhecido. 87% da população afirma conhecer sobre a discussão, e 76% ouviram falar na proposta do governo para implementação de uma taxa mínima.
Posição em relação à proposta do governo: 71% dos brasileiros se dizem contrários à proposta do governo encabeçada pelo Ministro Guilherme Boulos de implementação de uma taxa mínima de R$10. Na visão de 78% dos entrevistados, o tabelamento levaria a um aumento de preços nos pedidos de comida por apps.
Implicação em classe e consumo: perguntados sobre quem será mais afetado pela proposta, 86% dizem que serão as pessoas mais pobres. Além disso, sobre a perspectiva de pagar valores mais altos em entregas, 71% dos brasileiros dizem que não pagariam mais, contra 29% que estão dispostos a pagar mais pelas entregas.
“A regulamentação dos entregadores é necessária e deve avançar com equilíbrio pensando em soluções que protejam os trabalhadores e a sustentabilidade do setor. A própria pesquisa mostra que a população não apoia a proposta colocada, especialmente diante do potencial impacto nos preços. Medidas como a fixação de valores mínimos podem afetar os consumidores, sobretudo os mais vulneráveis, e pressionar a operação de bares e restaurantes, em especial os de pequeno porte, que dependem do delivery”, reforça Fernando Blower, Presidente Executivo da Associação Nacional de Restaurantes (ANR).
Eleições 2026 e polarização no debate: Os dados também revelam que o posicionamento em relação à proposta está fortemente ligado à identidade política. A rejeição é quase unânime entre a direita (97%), enquanto a esquerda demonstra apoio majoritário (84%). Chama atenção, no entanto, o posicionamento dos eleitores independentes, que registram alta rejeição à proposta (83%) – um dado significativo em um ambiente de polarização política, já que esse grupo costuma ser decisivo nas disputas eleitorais.
“Esses dados são especialmente relevantes em um contexto de eleições. Chama atenção que mesmo entre os independentes – um terço da amostra que não se identifica com nenhum dos polos – 83% são contrários à proposta. A rejeição transcende as divisões partidárias e sinaliza que o tema pode ter implicações eleitorais significativas.”, comenta Felipe Nunes, diretor da Quaest.
Informações técnicas sobre a pesquisa
A pesquisa foi realizada entre os dias 13 e 16 de março. Foram entrevistados presencialmente 1.031 brasileiros com 16 anos ou mais. A margem de erro estimada é de 3 pontos percentuais.
Sobre a ANR
Fundada em 1990, a Associação Nacional de Restaurantes (ANR) é uma instituição que tem como objetivo promover o setor de foodservice (restaurantes, bares, lanchonetes e demais negócios de alimentação fora do lar) e defender e representar os interesses dos associados. Atua nos campos da articulação setorial em suas relações com Poder Público, fornecedores e instituições, bem como junto à sociedade em geral e às áreas de educação e pesquisa voltadas para o desenvolvimento técnico-econômico e para a geração de qualidade da gestão empresarial, de trabalho e renda. Conta com mais de 12 mil pontos de venda em todos os estados, contemplando desde as maiores redes do segmento, que possuem vasta experiência global, até pequenos negócios de alimentação fora do lar. O setor congrega aproximadamente 700 mil estabelecimentos, gerando empregos diretos para aproximadamente 1,5 milhão de pessoas, com faturamento anual na ordem de R$ 200 bilhões.