Florianópolis lidera ranking de bares com entretenimento 

Abrasel
Florianópolis lidera ranking de bares com entretenimento 

De Vinicius Melo
Vinicius Melo
Agência de Notícias Abrasel

Levantamento da Abrasel aponta 77 estabelecimentos desse tipo a cada 100 mil moradores na capital catarinense 

Florianópolis/SC é a capital brasileira com mais bares com entretenimento por habitante. A cidade registra 77 estabelecimentos desse tipo a cada 100 mil moradores, segundo levantamento da Abrasel com dados do Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), atualizados até julho de 2026, e da população do Censo 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 

O resultado coloca a capital catarinense à frente de Belo Horizonte/MG, que ocupa a segunda posição, com 58 bares com entretenimento por 100 mil habitantes. Boa Vista/RR tem índice praticamente igual ao da capital mineira, enquanto Vitória/ES e Palmas/TO completam as cinco primeiras posições, com 55 estabelecimentos por 100 mil moradores cada. 

O levantamento atualiza a pesquisa de 2023 que atribuiu a Belo Horizonte o título de capital dos botecos. Desta vez, a análise separa os dois códigos da Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) utilizados para identificar bares. Um reúne estabelecimentos com entretenimento, como música ao vivo, shows e pista de dança, e o outro contempla bares sem essa atividade como característica principal. 

Música ao vivo ajuda a definir a identidade dos bares 

Em Florianópolis, a presença do entretenimento aparece na programação musical e na proposta de diferentes estabelecimentos. No Lisboa 48, bar à beira-mar, a música ao vivo ganhou espaço desde a abertura, no período posterior à pandemia de Covid-19. 

André Grecch, proprietário do estabelecimento, conta que a relação com os artistas começou também como uma forma de oferecer espaço para profissionais que enfrentavam dificuldades para trabalhar naquele momento. Seu sócio, produtor musical e músico, já mantinha contato com bandas e artistas, o que facilitou a construção da programação. “Na época em que a gente abriu (pós-pandemia), a gente estava numa situação em que precisava se solidarizar com os artistas. Não tinha mais palco para a profissão tocar, e muitos deles pediram palco, e a gente fez isso.” 

A programação começou aos sábados e domingos e, com a retomada das atividades, avançou para outros dias da semana. Segundo Grecch, a agenda frequente ajudou a consolidar uma característica do bar e a atrair público interessado nas apresentações. “A nossa coragem de ter uma agenda de segunda a segunda com música ao vivo, isso nos tornou uma referência. Então, com certeza tem uma diferença quando a gente coloca show ao vivo.” 

O repertório acompanha o perfil do público, que, segundo o empresário, é predominantemente com mais de 30 anos. A casa trabalha com MPB, pop rock, samba, samba de raiz, músicas regionais de Santa Catarina e composições autorais dos artistas convidados. A escolha dos gêneros faz parte da proposta de criar uma experiência que combine música, convivência e consumo. 

Manter apresentações frequentes, porém, exige acordos que considerem os custos e os riscos para os dois lados. No Lisboa 48, a remuneração dos artistas está ligada ao couvert artístico, com garantias mínimas para despesas quando o movimento fica abaixo do esperado. “O custo, eu acho que só é sustentável se existe uma parceria. Então, a parceria, o que é? É o artista entender os problemas da casa e a casa entender os problemas do artista”, explica André. 

O modelo busca equilibrar a atratividade da programação com a realidade financeira do estabelecimento. Em dias de chuva, vento ou frio, por exemplo, o movimento pode cair. Por isso, a combinação entre a remuneração dos músicos e a arrecadação da casa precisa levar em conta tanto o potencial de público quanto os custos de cada apresentação. 

Entretenimento também pode atrair famílias e clientes habituais 

Na Grande Florianópolis, a Cantina Zabot ampliou sua atuação para atender também o público noturno. Com 35 anos de mercado, o negócio criou o Zabot Beer, espaço com capacidade para até 200 pessoas e vista para o mar, com o objetivo de oferecer mais opções a quem já frequentava o restaurante durante o dia. 

O proprietário Amauri Zabot explica que a iniciativa surgiu após o movimento noturno ficar abaixo das expectativas. A proposta foi aproveitar a estrutura e a clientela já existentes para desenvolver outra ocasião de consumo, com música ao vivo, bebidas e porções menores inspiradas na gastronomia da casa. “Criamos esse espaço de entretenimento para trazer o próprio cliente do almoço para a noite, para ter mais opção para esse cliente.” 

A programação inclui diferentes estilos musicais, com atrações que atendem casais e famílias. O estabelecimento também criou ações promocionais, como a Quinta das Mulheres, em que as clientes recebem um drinque na chegada e têm desconto de 20% durante a noite. 

Para Zabot, a combinação de música, preços e ambiente faz parte da estratégia para atrair clientes que ainda não conhecem o espaço. A experiência noturna também muda a maneira como o público interage com o local. “O cliente no almoço ou no evento corporativo tem um comportamento. No bar já é outro, é com mais animação, mais interação com o músico, com os garçons e as garçonetes. É o mesmo cliente com um comportamento diferente, mais solto, mais fora da responsabilidade, por assim dizer. É social, vem para cá para se divertir verdadeiramente.” 

A operação também aproveita os espaços destinados a eventos privados, que podem receber encontros de empresas e comemorações. A estrutura permite diversificar o uso do local ao longo da semana, enquanto o bar procura ampliar o público para além dos clientes habituais do restaurante. 

O Zabot criou outro espaço para ser uma opção de bar consumo noturno e atrair também clientes que já frequentam a Cantina Zabot.
O Zabot criou outro espaço para ser uma opção de consumo noturno e atrair também clientes que já frequentam a Cantina Zabot. | Foto: Divulgação / Cantina Zabot

O que o ranking considera 

O levantamento da Abrasel cruzou o número de estabelecimentos ativos com CNAE principal de bar com e sem entretenimento, conforme a base do CNPJ atualizada até julho de 2026, com os dados populacionais do Censo 2022 do IBGE e a área territorial de 2025. A análise considera apenas a atividade principal registrada para cada empresa. 

Isso significa que restaurantes que também funcionam como bares à noite, por exemplo, não entram na contagem quando o entretenimento não aparece como atividade principal no cadastro.  

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