Paixão do brasileiro por panetone impulsiona mulheres a aprender a receita e empreender

Paixão do brasileiro por panetone impulsiona mulheres a aprender a receita e empreender

Considerado um dos maiores rituais coletivos do Brasil, o Natal segue como um período estratégico para a geração de renda, especialmente por meio de produtos sazonais. Pesquisa da plataforma Globo Gente revela que 95% dos brasileiros pretendem comemorar a data e metade deles afirma vivenciar o Natal de forma emocional e tradicional, com confraternizações, ceia especial, decoração e troca de presentes. Nesse contexto, itens típicos da época ganham protagonismo — e o panetone desponta como um dos principais símbolos da celebração.

Para 80% dos brasileiros, o período natalino é o momento em que se permitem consumir produtos diferenciados, como doces e bebidas especiais. O panetone ou chocotone ocupa lugar de destaque entre os itens escolhidos para presentear: aparece na lista de 55% dos entrevistados, sendo o segundo produto mais citado para se dar de presente, atrás apenas de roupas e calçados. O doce também figura como o quarto item mais lembrado na hora de presentear alguém, ficando próximo de chocolates e doces em geral; roupas e calçados; brinquedos.

O apreço do brasileiro pelo panetone é tão significativo que o produto deixou de ser exclusivo das festas de fim de ano. Dados da Associação Brasileira das Indústrias de Biscoitos, Massas Alimentícias e Pães & Bolos Industrializados (Abimapi) indicam que pantone está presente em 62,9% dos lares brasileiros e o consumo, antes concentrado em dezembro, estende-se até março, impulsionado pela diversificação de sabores, inovação e maior amplitude de preços.

O hábito de consumo se reflete diretamente nos números do setor. Entre novembro de 2024 e janeiro de 2025, o mercado de panetones movimentou R$ 1,24 bilhão, registrando crescimento de 29,6% em valor e de 7,3% em volume na comparação com o mesmo período do ano anterior. Um cenário que também abre espaço para pequenos produtores e empreendedores, especialmente em comunidades onde a geração de renda encontra no aprendizado técnico uma porta de entrada para novos negócios.

Oportunidade para mulheres do Santa Maria

De olho neste mercado, 11 mulheres de Aracaju – entre donas de casa, aposentadas e estudantes – participaram de curso de panetones e roscas natalinas promovido pelo Instituto João Carlos Paes Mendonça de Compromisso Social (IJCPM), em parceria com o Senac Sergipe. As aulas aconteceram no Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) do bairro Santa Maria e foram ministradas pelo instrutor Célio Fontes.

A oferta do curso está conectada ao comportamento do mercado e às oportunidades que surgem no período natalino. “A nossa proposta vai além do aprendizado técnico. Buscamos despertar a autonomia, fortalecer a autoestima e criar possibilidades de geração de renda, especialmente para mulheres que anseiam o protagonismo econômico”, destacou Beatriz Almeida, coordenadora pedagógica do IJCPM Aracaju.

Entre as alunas, o entusiasmo com o aprendizado e com as perspectivas futuras foi evidente. “Foi uma semana muito produtiva. Fizemos amizades, aprendemos muito e vamos empreender. Já trabalhei com trufas, quero retornar e também vender panetones agora para o Natal”, afirmou a dona de casa Rita de Cássia Jesus Santos, 44 anos.

Já a aposentada Rosi Mamfrin, de 63 anos, ressaltou o impacto pessoal da experiência. “O professor foi maravilhoso e eu me surpreendi muito. Conheci pessoas, troquei ideias e conhecimento, aprendi técnicas e pretendo fazer panetones e roscas para a família no final do ano e depois empreender”, pontuou.

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